Justiça determina pagamento direto de salários a trabalhadores da Expresso Rei de França em São Luís

  • 11/04/2026
(Foto: Reprodução)
Sede da empresa Expresso Rei de França, antiga 1001, na Estrada da Maioba, em São Luís. Reprodução/TV Mirante A Justiça do Maranhão determinou, na noite de sexta-feira (10), que a Expresso Rei de França, empresa de ônibus de São Luís pertencente ao Consórcio Via SL, efetue o pagamento direto dos salários a 110 trabalhadores em atividade que ainda têm valores a receber referentes ao mês de janeiro de 2026. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do MA em tempo real e de graça A decisão é do juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Ilha. A medida beneficia motoristas, mecânicos, porteiros, cobradores e profissionais da área administrativa que atuam diretamente na operação do transporte coletivo de São Luís. Em audiência realizada na terça-feira (7), a Justiça já havia determinado que os valores não fossem repassados às empresas, mas pagos diretamente aos trabalhadores, com o objetivo de evitar desvios e garantir que o dinheiro chegasse aos colaboradores. Com a decisão, o consórcio foi obrigado a apresentar, no prazo de 24 horas, a lista nominal dos profissionais, com os respectivos valores devidos e dados bancários para depósito. No entanto, a relação só foi entregue à Justiça do Maranhão na tarde de sexta-feira (10). De acordo com investigação, a empresa estaria ligada a um sócio oculto, que utilizaria terceiros para formalizar sua participação na sociedade. A decisão judicial também impôs restrições ao uso de recursos do sistema de transporte, proibindo, por exemplo, que valores arrecadados com passagens, vale-transporte e passe escolar sejam utilizados para quitar dívidas bancárias do consórcio. O juiz também autorizou a liberação imediata dos recursos que já estavam bloqueados em conta judicial. Uma nova audiência foi marcada para terça-feira (14), às 10h30, com a participação do Ministério Público, do Município de São Luís, dos consórcios, do sindicato e demais envolvidos. Empresa é investigada por supostas irregularidades Novos indícios ampliam suspeitas sobre empresa de ônibus A Expresso Rei de França está sendo investigada por supostas irregularidades. Documentos obtidos pela TV Mirante revelam movimentações bancárias na conta da empresa, como pagamentos de aluguel e de cartão de crédito no mesmo dia em que ela recebeu dinheiro do subsídio do transporte público. De acordo com os documentos, Willame Alves dos Santos, que consta na lista de beneficiários do Bolsa Família até janeiro deste ano, está registrado como administrador da Expresso Rei de França no site da Receita Federal. Ele recebeu de Débora Piorski Ferreira, ex-dona da empresa, todas as cotas avaliadas em R$ 3 milhões. Débora Piorski é filha de Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, que, de acordo com um gerente da Expresso Rei de França, é o verdadeiro dono da empresa. A relação entre eles será investigada pela polícia, já que a conduta de sócio oculto pode caracterizar crime, segundo o juiz Douglas de Melo Martins. Ele pediu a abertura de um inquérito policial para apurar as possíveis irregularidades. Documentos revelam movimentações bancárias suspeitas envolvendo a Expresso Rei de França, com indícios de desvio de subsídios e pagamentos irregulares, enquanto a empresa enfrenta crise no transporte público de São Luís. Reprodução/ TV Mirante Pedro Paulo também ocupa cargo de direção na Unamgem, uma empresa de extração mineral avaliada em R$ 136 milhões, e é sócio-administrador da Goldcoltan Minerais Limitada, que atua no mesmo setor. Ele está envolvido em um processo de recuperação judicial desde novembro do ano passado, período em que teve início uma crise no transporte público de São Luís, com envolvimento do consórcio Via SL, onde estão incluídas as empresas Expresso Rei de França e Grapiúna. LEIA TAMBÉM: Justiça aponta sócio oculto e bloqueia R$ 50 milhões de grupo ligado à Expresso Rei de França, líder do Consórcio Via SL Pagamento de subsídios e suspeitas de desvio O consórcio Via SL alegou falta de pagamento dos subsídios da Prefeitura de São Luís, que são repassados para manter os ônibus em circulação. No entanto, documentos apresentados pela própria Expresso Rei de França mostram que o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) transferiu mais de R$ 3 milhões para a conta da empresa. No mesmo dia, a conta foi esvaziada com pagamentos relacionados a aluguel, cartão de crédito e à empresa Goldcoltan. O pagamento para os funcionários do consórcio, no entanto, não constam nesses documentos. Funcionários enfrentam atrasos e paralisações A Expresso Rei de França informou, no final do ano passado, que tinha cerca de 600 funcionários. Esses trabalhadores começaram a relatar atrasos no pagamento de salários e benefícios, como ticket alimentação e plano de saúde. Como resultado, eles chegaram a paralisar totalmente as atividades, mas uma decisão judicial determinou que as rotas fossem retomadas aos poucos.

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/04/11/justica-determina-pagamento-direto-de-salarios-a-trabalhadores-da-expresso-rei-de-franca-em-sao-luis.ghtml


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