Pesquisadora incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo destaca ligação com Itapetininga: 'Cidade do meu coração'
22/04/2026
(Foto: Reprodução) Mariangela nasceu em São Paulo por necessidade médica, mas foi criada em Itapetininga (SP), onde viveu até os 10 anos
Prefeitura de Itapetininga/Divulgação
A pesquisadora Mariangela Hungria foi incluída na lista TIME100 2026, que reúne as 100 pessoas mais influentes do mundo. A relação, divulgada nesta quarta-feira (15) pela revista Time, destaca personalidades com impacto global em áreas como ciência, inovação e liderança.
Formada em engenharia agrônoma, pesquisadora da Embrapa e professora universitária, Mariangela integra a categoria “Pioneiros” pelo trabalho com microrganismos do solo, que permitem reduzir o uso de fertilizantes químicos e ampliar a adoção de alternativas mais sustentáveis na agricultura.
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Ao g1, Mariangela contou que recebeu a notícia da indicação com muita emoção e disse que o reconhecimento ainda parece difícil de acreditar. Ela ainda relembrou sua ligação com Itapetininga, no interior de SP.
“Uma grande alegria [receber a indicação]. Estamos falando de um reconhecimento das pessoas mais influentes do mundo”, afirma.
Mariangela Hungria engenheira agrônoma pela USP
Arquivo Pessoal
A pesquisadora nasceu em São Paulo por necessidade médica, mas foi criada em Itapetininga, onde viveu até os 10 anos. Em 2025, recebeu o título de cidadã itapetiningana, em reconhecimento à relevância internacional de sua produção científica e ao impacto de seu trabalho no desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira.
"Minha mãe pegou o trem e foi pra São Paulo e eu nasci em São Paulo, mas só porque era gravidez de risco e ela estava fazendo [o pré-natal] em São Paulo. Eu morei em Itapetininga até os dez anos. E eu sempre fui muito triste por causa disso. Eu sempre voltei para Itapetininga nas férias, feriados, visitar meus avós", relata.
A mãe e a avó de Mariangela foram professoras na Escola Estadual Peixoto Gomide, no Centro da cidade. Os primeiros anos de estudo da pesquisadora também aconteceram em Itapetininga, conhecida como “terra das escolas”.
"Eu tenho muita ligação com o meu ensino primário, que era o antigo primário, eu fiz no Instituto Imaculada Conceição e um ano também na escola Peixoto Gomide. A formação inicial é a base de tudo, é que nos vai sustentar para o resto da vida. Essa formação inicial que eu tive até os 10 anos em Itapetininga foi fundamental para a minha carreira, para a minha formação e para os meus valores éticos", analisa.
'Cidade do meu coração'
A relação com a avó também é lembrada com carinho pela pesquisadora. Mariangela afirma que ainda mantém muitos familiares em Itapetininga e que a família Hungria se reúne sempre que possível.
"Minha avó foi a pessoa mais marcante da minha vida, minha grande mentora, a pessoa que mais me apoiou. Então, eu sempre voltei pra cidade. E carregava essa tristeza de não ter nascido em Itapetininga. Fiquei muito feliz no ano passado quando recebi o título de cidadã da cidade. Parece que isso me completou. Quando eu vou aí eu fico muito na casa dos meus primos de segundo grau que são muito queridos. E sempre que possível, eu volto. É a cidade do meu coração."
Mariangela Hungria recebeu o título de cidadã Itapetiningana em 2025
Câmara de Itapetininga/Divulgação
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Pesquisa com microrganismos
Conforme divulgado pela Embrapa, as pesquisas de Mariangela Hungria têm como foco o aumento da produção e da qualidade dos alimentos por meio da substituição total ou parcial de fertilizantes químicos por microrganismos. Esses organismos atuam em processos como a fixação biológica de nitrogênio, além de favorecerem o crescimento das plantas e a disponibilidade de nutrientes no solo.
Entre os resultados, a pesquisadora mostrou que tratar a soja todos os anos com bactérias do gênero Bradyrhizobium pode aumentar, em média, em 8% a produção. O estudo também comprovou que é possível alcançar bons resultados nas lavouras sem o uso de fertilizantes à base de nitrogênio.
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A publicação da revista Time aponta que graças ao trabalho da pesquisadora 85% da soja produzida no Brasil utiliza esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos.
"Suas inovações científicas, aplicadas em diversos países, ajudaram agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente", destaca a revista.
Pesquisadora que cresceu em Itapetininga integra lista das 100 pessoas mais influentes da Time
Arquivo Pessoal
Este não foi o primeiro reconhecimento na carreira da pesquisadora. No ano passado, ela foi a primeira brasileira a receber o World Food Prize 2025, considerado o “Nobel da Agricultura” da agricultura mundial, pelo desenvolvimento de técnicas que contribuíram para o aumento da produtividade da soja no Brasil.
“É uma forma de levar uma imagem positiva da sustentabilidade no Brasil, de mostrar que a gente não é só devastação", analisa.
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Reprodução
Também no ano passado, em novembro, Mariangela Hungria foi incluída na lista Time100 Climate 2025, que destaca as cem personalidades mais influentes do mundo em ações pelo clima. Na época, ela apareceu na categoria "Defenders".
“Essas premiações são incríveis. Uma oportunidade para falar de sustentabilidade na agricultura, de nós, mulheres”, afirmou.
Mariangela é eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em ações climáticas pela Revista Time
Reprodução
Realização pessoal
Aos jovens, a pesquisadora aconselha que pensem no longo prazo e sigam a própria vocação, sem se deixarem levar por valores superficiais ou pela busca imediata por dinheiro. Para ela, a verdadeira realização está em fazer o que se ama e em contribuir com a sociedade.
"Não se iludam por valores superficiais, de moda, de ser um influencer porque ganha dinheiro mais depressa, querer ficar rico, nada disso, porque nem o dinheiro traz realmente a felicidade. Dinheiro é necessário, mas não é ele que completa. Porque na verdade todas as pessoas querem se sentir úteis, e principalmente fazer aquilo que ama, fazer aquilo que escolheu para fazer, do coração, da vocação, isso traz muita felicidade", aconselha.
Como exemplo, ela cita a própria trajetória na ciência, área que escolheu ainda na infância e na qual enfrentou barreiras por ser uma das poucas mulheres pesquisadoras na época de sua formação. Apesar dos desafios, Mariangela afirma ter encontrado realização ao dedicar a carreira à produção sustentável de alimentos.
"Naquela época nem tinha quase cientista mulher, mas eu persegui a minha vocação. É uma carreira que você tem que estudar muito, nunca pode parar de estudar se não se fica defasado, mas eu ia adiante. Hoje estou sendo reconhecida com vários prêmios, mas mesmo que não fosse, não foi para isso que eu estudei, eu queria ser cientista para contribuir para a produção sustentável de alimentos. Eu ficava muito triste quando via pessoas passando fome. Dediquei minha vida a isso, fazendo muita ciência para conseguir produção com sustentabilidade, e posso falar que eu sou muito feliz", finaliza.
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